quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mais uma de saudade

Dedico este post à minha mãe, meu irmão, meus cunhados, minhas luluzinhas, minhas amigas, meus amigos, minha sogrinha, de quem sempre sinto saudade, mas que sempre posso matar. E dedico este post também à saudade que jamais vai morrer no meu coração.

Tenho pensado muito sobre a saudade esta semana. Talvez porque minha amiga se separou, a outra sente saudades do pai que faleceu há pouco tempo, meu marido e eu sentimos saudade dos familiares que não estão mais por perto. Talvez um pouco de tudo.

Saudade, um sentimento egoísta de querer pra si o que já não faz mais parte da sua vida, ao menos por hora. Saudade é dilacerante. Tem gente que acha saudade gostosa, mas é porque na vida só sentiu saudade de alguém que gosta ou ama, e ficou sem ver por pouco tempo, então recebeu de novo naquele abraço gostoso.

Mas quem já sentiu saudade de um amor que partiu, quem já chorou antes de dormir em cima da cama velando o corpo que não está ali, chorando a morte de quem vive, sabe do que estou falando. Saudade do amor que partiu em vida é triste, machuca, fere... mas um dia sara. Sara justamente porque para um lado ao menos existiu a escolha. E a escolha mexe com os dois lados no sentido de seguir em frente.

Quem também já sentiu saudade de uma pessoa amada que faleceu sabe muito bem do que estou falando. Saudade corta... e esta é uma saudade em que ninguém escolhe partir. Simplesmente acontece a separação. Essa saudade sufoca, não sara nunca, mas ela vai e volta, e com o tempo a gente aprende a suportar a dor, mesmo sem jamais esquecê-la.

É para não sentir saudade que inventamos o casamento, acreditamos na vida eterna, no reencontro. É para não sentir saudade que jamais quebramos nosso vínculo com os familiares. Tudo para não se despedir. Dizer adeus é difícil. Para alguns, mais do que para outros, mas dizer adeus é difícil. Quantas vezes sentimos falta de nós mesmos em determinada fase da vida...

Acho que também escrevi sobre isso porque está chegando a hora de seguir em frente, de esquecer a saudade que mais me doeu. Já tem 1 ano e 9 meses que a qualquer dificuldade que eu passo na vida, eu tenho a certeza de que vou superar, afinal eu perdi você e estou aqui firme. Há 1 ano e 9 meses que vivo na dúvida sobre o que fazer na vida. Há 1 ano e 9 meses que guardo com carinho cada detalhe do que arrumei pra você. O tempo passou, eu reaprendi a ser feliz, mas você não passou e nem irá passar. Eu sigo com você no meu coração, sempre vou seguir.

Está na hora de dizer isso às pessoas, que já não adianta chorar, se esconder da vida. Tem perdas que não são superadas, mas as feridas cicatrizam, a vida continua. Talvez não tão justa como a gente gostaria, talvez não tão linda quanto a gente via antes, mas certamente valendo a pena como sempre valeu.

A vida continua, e na continuação da vida o nosso papel é usar esta emoção, esta energia, este amor, para ajudar as outras pessoas ao nosso redor. Podemos direcionar tudo o que sentimos para quem precisa de nós, e esperar novas oportunidades de sentir o que tanto nos dá saudade.

A saudade não mata a gente, mesmo quando a gente não consegue matar a saudade. E que um dia eu possa oferecer a alguém o amor maternal que a saudade mantém em mim.

É isso.


8 comentários:

Flávia Shiroma disse...

Tatá, minha amiga.

A saudade nunca é uma coisa boa.
Se é boa, deixa de ser saudade e passa a ser lembrança.
A saudade é uma sensação que nos mostra o quanto desejamos algo que não podemos ter naquele momento em que ela mais aperta.
Passar pelo que você passou não é pra todo mundo Tatá.
Deus nunca dá um fardo maior do que podemos carregar. Se Ele colocou esta provação no seu caminho é porque, no mínimo, te acha um ser humano guerreiro, forte e sábio. Mesmo sendo uma experiência triste, para não dizer terrível, só os fortes saberiam passar por isso e seguir em frente.
Desde que comecei a te acompanhar no seu blog, venho te admirando mais e mais. Você reflete, tenta entender as coisas, filosofa, abstrai, pensa, escreve e nos ensina muitas coisas com cada post que desenvolve.
Você é muito mais do que pensa ser Tatá. Não é qualquer pessoa que se aventura a fazer duas faculdades ao mesmo tempo, que mantém a qualidade do blog num nível invejável mesmo com pouco tempo no seu dia, etc.... enfim, assim como você escreveu aqui, siga em frente! Passo a passo, dia após dia e confia Nele. Nada acontece por acaso.

Falei demais.

Um beijo querida.

ps.: não acredito que consegui comentar antes do seu marido! rs

Sandro Ataliba disse...

Você conseguiu algo bem difícil, que foi quase me fazer chorar lendo um texto. Saudade é realmente algo cruel e desnecessário.
Sorte minha nunca precisar me separar de você por tanto tempo.

Amo!

P.S.: Flávia, você só conseguiu porque o Blogger saiu do ar na hora que eu li. rs

Flávia Shiroma disse...

Tatá, já disse que amo seus comentários? Obrigada pelas lindas palavras!

ps.: ah tá Sandro!! Agora entendi porque comentei antes e porque caiu o maior toró aqui em Campo Grande! kkk

Almir Ferreira disse...

Eu acho a saudade um sentimento conflituoso. Ao mesmo tempo que dói pela ausência de quem gostamos e que não está mais por perto, seja momentaneamente, seja definitivamente, também conforta, pela lembrança dos bons momentos vividos.

Grande abraço,
Almir Ferreira
Rama na Vimana

Gisley Scott disse...

Ô saudade lascada do meus amigos, da comida do Brasil, das tapiocas de Fortaleza, da minha família e do meu sogro que se foi de repente :(!

Realmente qdo se trata de perdas relacionais, algumas delas a gente não escolhe,só aceita :( ... Meu sogro foi um pai pra mim desde que eu cheguei aqui nos EUA. O que ele poderia fazer por mim pra que eu me sentisse acolhida, ele o fez.

Qdo ele se foi, pra mim era como se a família tivesse ido, pq era ele que sempre pedia pra minha sogra ligar pra saber se eu estava bem, pra saber se eu queria sair para algum canto com eles.

Tb sinto falta de certas coisas que jamais irão voltar ou daqueles que não podem ser refeitas.E esse post foi bom pra eu acordar pra vida. Obg :)!

Paula Li disse...

Oi Taís, sempre tenho dificuldades em confortar, fico sem jeito pois sei que minhas palavras são muito pequenas diante do que a pessoa esta sentido.
Sempre ouço dizer que a perda de um filho é a pior de todas e acredito ser verdade, pois não há amor igual.
Este vínculo é eterno, pelo menos para a maioria das pessoas e por isto tão doído.
Mas a vida segue e no tempo certo você irá poder dedicar todo esse amor a outro ser.
Um grande beijo

Ludmila Barbosa disse...

Ah, a saudade também brilha, tem pedaços de luz porque traz a lembrança viva.

Flávia Shiroma disse...

Amiga, te mandei um e-mail. Bjs