sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ciclo da vida

Acho engraçado como a gente passa a vida inteira completando os mesmos ciclos e pensa que está fazendo tudo diferente. A gente vive, vive de novo, de novo e de novo, sempre as mesmas coisas. A cada vez que passamos pelas mesmas experiências (achando que são outras) para amadurecermos, nos deparamos com algumas situações que reconhecemos, e aí dizemos: ah, nessa eu não caio de novo, não vou me entregar a esta situação assim. E é aí que está o nosso grande erro, porque não mergulhando profundamente em cada ciclo, é que mora a estagnação. O atleta treina muito para chegar à perfeição. Também seríamos nós atletas na vida, repetindo os mesmos gestos diversas vezes, até que pudéssemos ir quebrando nossas algemas. Mas a gente (que não pensa) às vezes acha que é bicho, e evita como um cão a todo e qualquer estímulo que antes tenha causado dor, sem saber que o palco é o mesmo, mas a cena sempre pode ser diferente.

Foi isso que andei pensando nesta semana de ausência da internet...

Termino com um poema da Cecília Meireles, perfeito para o tema:


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.


E então serás eterno.
Cecília Meireles

5 comentários:

Sandro Ataliba disse...

Contanto que os ciclos daqui para a frente continue envolvendo nós dois, eu nem me incomodo com a a repetição.
Amo!

Flávia Shiroma disse...

Tatá,

A vida me ensinou (e continua ensinando) a reconhecer cada vez mais rápido quando estou revivendo alguma situação e, ao contrário das pessoas que tentam fugir, eu mergulho de cabeça, encarando tudo aquilo como uma nova chance para acertar, como se fosse uma prova de vestibular. Você faz uma vez, reprova. Faz a segunda, reprova. Na terceira vai com tudo porque sabe que seria perda de tempo reprovar 'de novo'. O empenho é maior, a dedicação se intensifica e aprendemos de fato a lição, literalmente falando.

Mas é claro que existem situações tão dolorosas que nos fazem criar uma espécie de escudo e não conseguimos mais enfrentá-las.

No final das contas é isso que você levantou aqui, tudo se repete sempre. Basta pararmos para prestar atenção. Tudo não passa de uma nova chance, uma oportunidade para acertar ou fazer diferente.

Amei!
Bjs
:)

CARLA STOPA disse...

Que lindo amiga...Vou postar essa poesia da Cecília no meu face...

Almir Ferreira disse...

A vida é assim né, uma sucessão de ciclos que se fecham e que se renovam. O dia, a noite, as estações do ano, o ano, até começar tudo de novo, os mesmos erros, os mesmos acertos. Não me surpreende que muita gente creia que a própria vida é um ciclo que se repete em novas encarnações, para que possamos aprender e crescer em outras oportunidades naquilo que não pudemos nesta.
Um grande beijo

Carla Fernanda disse...

Thaís fiquei sem internet ontem. Ela só chegou agora, a tempo de eu vim desejar-lhe um sábado ótimo e de luz!
Lindo o poema!
Beijos,
Carla