quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ateísmo = Religiosidade?

Ontem meu marido me falou sobre a notícia de uma passeata de ateus que está para acontecer na Semana Santa na Espanha com intuito provocativo, óbvio, e isso me fez pensar definitivamente sobre este assunto, que há alguns dias começou a brotar na minha mente.

Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que não sou adepta nem do ateísmo e nem de religiosidade. Eu acredito que existe um Deus, portanto não sou ateia, e acredito que existe muita manipulação em todas as religiões, portanto não fui capaz de escolher nenhuma que me desse uma verdade plena e absoluta que eu pudesse seguir fielmente sem questionar. E quem questiona está errado...rs

O que eu penso é que da mesma forma que os religiosos fanáticos que desrespeitam os ateus ou qualquer pessoa de outra religião estão errados, eu também acho que os ateus que atacam sem motivos os religiosos estão igualmente errados.

A exposição de ideias é uma coisa saudável e é bom ver que as pessoas estão se manifestando mais neste sentido, tendo coragem de ir contra a "maioria". E tenho que elogiar o discurso ateu, que está sempre muito fundamentado e embasado cientificamente e cheio de argumentos espirituosos (e não espirituais...rs) e inteligentes. Assim como também tenho que admirar o discurso religioso que desde a Grécia antiga com o seu politeísmo vem ensinando às pessoas limites, ética, moral, valores. Infelizmente muitas pessoas não podem viver assim se não seguirem fielmente uma religião. E, neste sentido, as religiões prestam um grande serviço à sociedade.

Mas também tenho que criticar os dois. A crítica à religião é aquela mesma. Me irritam os fanáticos religiosos que querem empurrar a verdade deles goela abaixo, que não se importam e nem respeitam o que você pensa, e que acham que são seres superiores que podem julgar as pessoas e enchê-las de rótulos. Mas a novidade é que esta mesma crítica começa a se aplicar no movimento ateísta. Sim, hoje temos um movimento ateísta, que até pouco tempo era algo saudável, mas que está começando a se tornar uma crença. Logo eles, que criticam tanto a crença em Deus, parecem que estão criando um culto de adoração ao Não-Deus.

Cheguei a esta conclusão devido a alguns dos ataques recentes e gratuitos aos religiosos. Acho ótimo que eles expressem que são ateus, mas por que precisam atacar um feriado religioso, por exemplo? Por que precisam andar em uma passeata com um cartaz chamando Deus de estúpido? Isso também não é querer impor a sua verdade com fanatismo e sem respeitar o direito do outro de acreditar no que ele quiser? Para mim este tipo de atitude não soa muito diferente do Bispo Macedo chutando as imagens católicas para dizer que a religião dele é que é a certa e a católica adora imagens. Na minha opinião o movimento está perdendo o foco e se tornando tudo aquilo que ele sempre criticou, criando mais um tipo de fanatismo. O fanatismo não-religioso.

É uma pena, mas como tudo que o ser humano faz, o fanatismo um dia aparece. Time, banda de rock, ator preferido, religião, e agora a não-religião também.

Coloquem seus capacetes porque uma hora esta guerra "santa" também vai explodir. Mais uma vez o que estamos perdendo é a única coisa capaz de nos diferenciar dos outros animais: a racionalidade.

Em tempo 1: Não estou generalizando - Sei que tem muitas pessoas religiosas que sabem escutar e muitos ateus que não precisam atacar os religiosos. Estou apenas atenta aos movimentos extremistas que têm acontecido dos dois lados.

Em tempo 2: Este post dialoga com esse post.

É isso.

8 comentários:

Sandro Ataliba disse...

Legal ver nossas discussões filosóficas de sala de estar invadindo o mundo virtual.
E você sabe que eu concordo com tudo o que disse.
Amo!

Jana. disse...

Vc está certa: o Ateísmo está virando uma religião tão fundamentada quanto as de 2 mil anos e etc.
gostei do texto.

Romulo disse...

O fanatismo leva a ignorância e em qualquer situação e área.
Comentário interessante.
Sds.

CARLA STOPA disse...

Sentir e viver Deus é mesmo muito mais que uma religião...É muito mais viver do que dizer...Adorei minha amiga...Meu abraço.

Bruna disse...

Discursos vazios que se movimentam em nome de propósitos no mínimo questionáveis. Se ao menos significassem filosofias para si, eu ainda diria que,em nome do livre arbítrio, está tudo certo. Nada que é extremado é saudável. Do mesmo modo, nada que é imposto também não o é
Ótimo texto!
Beijo

Jão disse...

Penso ser essa uma questão de respeito. Eu também não sigo doutrinas, mais acredito sim em Deus e tenho muita fé nele.


Cada um é de um jeito e o nosso dever e respeitar todos.


Beijos!

Bruna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula Li disse...

Oi Taís, a minha visão de religião é a mesma que a sua e achei o post muito bem fundamentado.
Principalmente a parte que existem pessoas que precisam da religião para viverem em sociedade e aprenderem noções de limites.
Infelizmente não acredito que um dia veremos as religiões convivendo em paz, pois a um forte componente de poder e manipulação envolvido nesse meio.
Bjs