sábado, 21 de maio de 2011

Sobre a amizade

Há alguns anos eu achava que ser pop era legal e que tinha muitos amigos. Nos divertíamos, fazíamos burradas, conversávamos sobre as coisas culturais que nos apraziavam. Eu tive muitas decepções, desilusões e talvez também as tenha causado em massa até descobrir que não é bem assim. Posso conhecer mil pessoas, mas jamais poderei atender a todas com uma amizade verdadeira, sincera. Posso me agradar de muitas pessoas, mas só posso me dedicar a conhecer verdadeiramente e profundamente algumas pessoas a quem poderei chamar de amigos, por conhecer e aceitar como são e por me conhecerem e me aceitarem como sou.

Ao passar por uma fase difícil, eu aprendi que amigos verdadeiros são poucos, e estes guardei no coração. Ainda que não mantivesse o mesmo contato com alguns, eu sabia que ali morava a amizade. Nesta época comecei a aprender, a discernir.Achava que deveria cortar algumas pessoas da minha vida porque não eram amigas de verdade.

Então veio uma fase linda na minha vida e eu entendi que não deveria tirar pessoas da minha vida só porque não são minhas amigas, mas entender o meu papel para cada um e o papel de cada um para mim. Alguns são amigos de bar, de trabalho, de almoço, até amigos da internet naquele fds solitário... a maioria deles são eventuais, mas que também fazem parte do dia-a-dia, de aprendermos, de convivermos com as diferenças. Parei de cortar as pessoas e passei a entender o que poderia ter de cada uma e como me relacionar. Sem dar importância demais ou de menos a ninguém. E esta parte foi muito fácil, já que meus valores são muito bem definidos.

Foi quando veio a fase mais triste que eu já passei e aí pude ver que escolhi bem, que valorizei os amigos certos, que eles estavam lá por mim. Me decepcionei apenas com um e me surpreendi com a amizade que eu achava que havia perdido e que havia passado a ser um contato. Mas, em geral, escolhi meus amigos a dedo, e eles estavam ali. Nenhum deles podia fazer nada por mim, e talvez nem me entender.

Hoje vivo mais uma fase em que estou longe de todos. Sinto saudade de muitas coisas, mas sinto um imenso cansaço pelo esforço que tenho feito para alcançar novos objetivos. Sacrifico estas coisas por um bem maior. Tenho o abraço e conforto no meu marido, o melhor amigo que eu poderia ter. Já não tenho tempo reservado para os amigos casuais. Os amigos que realmente prezo são aqueles que procuramos (eu e meu marido) dar atenção em nossas escassas idas à antiga cidade. Entre nossos amigos amados estão muitos da nossa família, nossos pais, irmãos e cunhados. Estão nossos amigos em comum e também nossos amigos que acabaram se tornando amigos em comum. E, de alguma forma, também meus amigos que moram longe, muito mais longe de mim, e que não posso ver com tanta frequência, mas que fazem parte deste seleto grupo de amigos que eu amo.

Estou aprendendo uma nova maneira de me relacionar com meus amigos mais chegados. Esta realidade me fez enxergar ainda mais que AMIZADE verdadeira é difícil. Sei que alguns que eu pensava serem amigos (e de muitos anos) ficarão para trás, naquele hall imenso dos amigos casuais. Mas é bom saber que alguns nunca passarão, ainda que nunca mais nos encontremos. É bom saber que este sentimento existe, e que vai muito além dos momentos alegres, das festas, das bebedeiras, dos encontros emocionados, dos prantos enxugados, dos filmes compartilhados, das pipocas divididas, das comidas de ressaca...

Hoje eu estou feliz comigo por ter este sentimento. Por saber pelo facebook o quanto estou feliz só de saber que minha melhor amiga está feliz, e nem sei ainda do que se trata, mas sei que ela conseguiu algo! Que bom, ela conseguiu! Por saber que meu amigo que foi meu fiel escudeiro por tanto tempo, está longe, mas está casado, feliz, com um emprego chato que ele adora e viaja como gosta, e que continua com seus planos de um dia largar tudo e sair pelo mundo. Feliz por meu melhor amigo ter sumido porque finalmente parece que encontrou alguém com quem quer compartilhar seu amor, mesmo que aparentemente o começo fosse totalmente contra. Vibro com cada vitória. Não preciso deles aqui do meu lado o tempo inteiro, embora sempre vá precisar deles.

Sei que o sentimento é recíproco. Sei que cada um se sente feliz porque estou correndo atrás de mais um sonho. Sei que me admiram. Sei que me respeitam. E sei também que precisam de mim, e que embora eu não esteja ao lado deles, sempre estarei por perto.

Por isso já não pedirei mais desculpas pela ausência ou pelo cansaço. Por isso cultivarei nossa amizade pela internet muito mais do que pessoalmente, só para de algum jeito mais frio e acomodado possamos matar um pouco a saudade. Por isso trocaremos mensagens querendo saber o que está acontecendo, apenas por real interesse. A saudade é um sentimento bom, dos momentos, das fotos, das intensidades.

Assim é a amizade: alguns amigos simplesmente não precisam fazer parte da nossa vida porque fazem parte daquilo que somos. E estes são os amigos verdadeiros. Esta estrada só pode ser trilhada com uma história de vida, com encontros que acontecem e a afinidade vence as adversidades, ou reencontros que acontecem e as pessoas se reconhecem. Não se constrói isso da noite pro dia.

Este post é dedicado aos meus amigos verdadeiros, os da cidade quase ao lado, os de longe, os de mais longe ainda, minha família, amigos que construíram comigo a pessoa que eu me tornei. E também é dedicado ao amigo que constrói comigo a cada dia a pessoa melhor que eu ainda irei me tornar, meu marido.


"Ser feliz de uma forma realista
é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno." (Martha Medeiros)



Sempre uso uma frase de música do Carbona, mas vou repetir: "É impossível ser tudo para todos." Por isso, escolha suas batalhas, priorize aquilo que realmente ama e faça todo possível!


"Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém." (Martha Medeiros)


É isso.

14 comentários:

Sandro Ataliba disse...

Lindo texto, meu amor. É muito bom me sentir parte deste seleto círculo de amigos próximos, mas é melhor ainda ser o mais próximo. ;)
Amo demais!

Ivan disse...

Quando estava na matade do post, eu juro que pensei em comentar que seu texto me lembrava muito as crônicas da Martha Medeiros (no estilo, no assunto e na delicadeza para dizer exatamente o que sentimos mas não percebemos) e vc cita ela logo abaixo... Muito bom!
Abraço

Jão disse...

Amigo, longe ou perto sempre tem a palavra certa, uma lembrança boa, um puchão de orelha. As batalhas enfrentemos sozinhos, mais se temos nosso coração amparado e aquecido por pessoas que nos querem bem (vulgo amigos) fica tudo mais fácil.

Bonito e importante seu post.


beijos!

Thay Negrão disse...

"Só existe uma coisa melhor que fazer novos amigos, conservar os velhos..."
Adorei o texto...! Amigos verdadeiros são muito dificeis de se achar, é por isso que os meus são contados nos dedos, e por incrivel que pareça,ainda sobram dedos,rs.
Bjão!! Bom domingo!!!!!

CARLA STOPA disse...

Adorei isso...Beijos...

asombradomar disse...

pois é... concordo plenamente... é tão dificil encontrar alguem com quem vc realmente possa contar, e ainda mais, aquele que fique e permaneça independente de qualquer coisa....
Minha mãe diz que precisamos de um certo 'filtro' o tempo todo, e peneirar bem as pessoas, os que restarem, não são restos, mas sim, são tudo o que há de essencial.


Um beijo!

Cáh

Rê Lopes disse...

Na verdade, a gente chega e sai desse mundo sozinho. Podemos conviver, conhecer, fazer amizades, ter amores, mas no final é sempre você com você mesmo. Isso me dá um frio na barriga, mas acho que é por não ser pra sempre que damos valor. O ser humano não suporta o pra sempre. Ele sempre pisa na bola com algo que ele tem certeza que não perderá jamais. A beleza está na inconstância da circunstância. beijos irmã!

нєllєи Cαяoliиє disse...

Ahh,Thá...
mas como disse a Martha "Se tiver um,amém"
o importante é sentirmos que temos essas pessoas verdadeiras,e sim nos decepcionamos,mas faz parte.
Mas o que fica mesmo são essas pessoas verdadeiras que fazem toda diferença no percurso ;)
Lindo Post viu? Te levo comigo,Querida amiga!
Um beijo

Natália disse...

Concordo com a Rê!
Tive uma fase turbulenta no quesito amizades. Me achei em um ninho de cobras, foi triste, foi deprimente. Depois disso pensei que podia 'selecionar' melhor os amigos. Mas o presente foi maior: por acaso eu encontrei um tesouro, amizades verdadeiras que zelo com muito cuidado e carinho. :D

Beijos, flor!

beijos!

Camila Monteiro disse...

Olá Thais, que texto hein!!! Nossa!
Eu aprendi isso tambem, depois que precisei dos meus amigos é que descobri que não tinha quase nenhum de uma turma de mais de 20 pessoas! Maso que ficaram e os que apareceram foram de qualidade.
Adorei teu texto de verdade!
Beijos

Indy. disse...

Lendo esse post, eu agradeço a Deus por ter nascido em uma família de classe média alta - que por já sofrer com inveja e falsidade - me aconselharam desde pequena a saber escolher meus amigos. Embora eu conheça muitas pessoas, eu tenho um ciclo de amizade bem restrito e sincero. E eu sei que sou rica, por isso! lindo o seu post.

Flávia - Compartilhando Idéias... disse...

Oi Tatá,
Até hoje sinto muita dificuldade em manter uma amizade com alguém que já sei que não será meu melhor amigo. Preciso e quero praticar o coleguismo, fazer exatamente o que você escreveu aqui:

"... entendi que não deveria tirar pessoas da minha vida só porque não são minhas amigas, mas entender o meu papel para cada um e o papel de cada um para mim. Alguns são amigos de bar, de trabalho, de almoço, até amigos da internet naquele fds solitário... a maioria deles são eventuais, mas que também fazem parte do dia-a-dia, de aprendermos, de convivermos com as diferenças. Parei de cortar as pessoas e passei a entender o que poderia ter de cada uma e como me relacionar..."

Preciso reaprender a manter as minhas amizades como antigamente, na época da escola, da faculdade, enfim, reaprender a ser uma Flávia para cada tipo de amizade que eu tiver.

Faz tempo que eu quero escrever sobre isso no blog, mas ultimamente estava escrevendo tanto sobre o meu lado anti social que resolvi adiar um pouco! rs

Amei seu texto.
Como sempre!
Um beijo querida!

A. Reiffer disse...

Ótimo o teu blog, parabéns!

Adriana Abrantes disse...

Amiga!!
Vc conseguiu traduzir em palavras aquilo que eu tb enfrentava diariamente: aprender o que cada um nos oferece em diferentes "graus" de amizade. Tb aprendí a não cortar ninguém da minha vida, pois em algum momento aquele que é pouco pode dar o suficiente e se tornar grande naquele momento necessário!!
Mas, antes de qualquer coisa, quero te dizer que vc é aquela amiga que eu dividi lágrimas, alegria, euforia, adolescência, ritos de passagem, felicidade, dificulade... enfim nossa vida, nossa história!!
E vc é minha amiga de CORAÇÃO, o João é o amor da minha vida e vc é o AMOR da minha alma, aquela em que eu posso CORRER qdo eu precisar, muito embora haja distância física aquela mágica existente entre dois seres que se escolhem para serem irmãos persiste: CUMPLICIDADE TOTAL PLENA E IRRESTRITA, e o melhor IRREVOGÁVEL (rsrrsrs... tinha que ter o meu momento advogada... rsrsr).
Enfim, tô contigo e não abro mão para o que der, vier, levar e trazer, estando vc certa, errada, parcialmente certa ou parcialmente errada. Pois sou sua amiga não nesta vida, mas por toda a existência de tempo que houver (daquilo que não conhecemos, pois vai do além do que reconhecemos como tempo "de vida").
Sei que quase nãos nos falamos, mas para mim isso não importa, pois carrego vc comigo dentro do meu coração!
Um beijinho desta sua sempre amiguinha de infância, adolescência, vida adulta, vida idosa e além da vida,
Adriana
OBS.: Ótimo texto... para variar!!! rsrsrs.