quarta-feira, 23 de março de 2011

E se...

Parece que tem sido a questão do momento.

E se eu tivesse seguido aquele outro caminho? E se eu tivesse insistido naquela pessoa? E se eu investisse naquela carreira? Todo mundo com um pouco mais de 18 anos é cheio de "e se".

E se eu tivesse feito Letras? E se eu não tivesse deixado o teatro? Será que eu seria a pessoa que eu sou hoje? Será que eu teria tudo de bom que conquistei até hoje? Será que eu não seria uma pessoa pior?

A verdade é que as pessoas ficam se lamentando no "e se", mas só que nós somos todos egoístas. Se deixamos algo no passado a escolha foi nossa. Meu marido costumava dizer que deixou de jogar bola por causa da ex. Mas não foi, ela só encheu o saco, mas a escolha foi dele. Era cômodo estar naquela relação, ele se sentia bem, e por isso achou que seria melhor abrir mão do objeto que gerava conflito (até hoje ele não concorda comigo, tolinho...rs). E a nossa natureza é esta. Reagimos assim em qualquer âmbito da nossa vida, não só em relacionamentos. Todos os "e se" que não aconteceram, foi porque nós não quisemos, porque aquela escolha naquele momento já não nos fazia bem.

Por exemplo, eu tenho um grande amigo ator, que quando eu conheci estava com 30 anos e se questionando até quando aguentaria aquela vida incerta, sem grana, vivendo com a mãe, sem perspectivas. Mas ele aguentou, superou, hoje ganha sua vida através deste trabalho que tanto ama. Ele escolheu passar por toda aquela provação e arriscar, porque viver sem atuar não era uma opção com a qual ele pudesse ser feliz. Eu, por outro lado, aos 23 anos já sabia que não poderia ser feliz vivendo toda aquela provação e me senti realizada com um trabalho normal que me deixava pagar minhas contas em dia, viajar, conhecer pessoas, culturas. Se eu sinto falta de atuar? Claro que sim. Às vezes eu estou no trabalho (boring) no meio do dia e penso que poderia estar na praia na minha antiga vida, depois ensaiar, correr atrás de um bico. Só que deixo apenas esta saudade boa e nostálgica. Não começo a me questionar sobre os "e se", simplesmente porque não esqueço os motivos das minhas escolhas. Eu não aguentava olhar pro armário em alguns dias e só ter miojo pra comer.

E é este o problema da maioria das pessoas, a memória seletiva. Como se, passado algum tempo, as pessoas só conseguissem se lembrar o lado bom das coisas do passado e não pudessem saber porque deixaram lá. Guardar TODAS as lembranças não é ser rancoroso. Você pode perdoar, seguir em frente, viver. Mas precisa se lembrar daquilo que te faz bem e do que te faz mal. Não dá é para ficar se torturando eternamente numa vida cheia de "e se", sem viver nem o que passou e nem o que está acontecendo. Se você deixou passar, foi porque não estava mais feliz com aquela situação na época. Fosse por falta de grana, por falta de vontade, por excesso de responsabilidade... não importa. São todas desculpas para encobrir a única e verdadeira razão: de que o seu bem estar dependia de deixar aquela determinada coisa para trás.

Eu sou uma sonhadora. E acho que não há nada de mal em sonhar. Mas vamos sonhar no presente, vamos seguir em frente! Se tem alguma coisa no presente que não te deixa feliz, mude-a, deixe-a pra trás, corra atrás do que você quer pro futuro. Se tem alguma coisa de HOJE que você está vendo que vai escapar por suas mãos, mas você não quer, lute para mantê-la. Se você está plenamente feliz no presente, que bom, faça a manutenção disto na sua vida. Mas viva para o hoje, para o agora. Sonhe para fazer acontecer num futuro próximo ou distante. Não se martirize com as suas próprias escolhas do passado, pois você fez o que deveria ser feito para se manter feliz. Use o passado como uma caixa de boas memórias, fotos bonitas e lições aprendidas.

É isso.

15 comentários:

Sandro Ataliba disse...

"Cada escolha, uma renúncia" foi algo que aprendi desde cedo. Embora às vezes bata nostalgia sobre o que eu já fiz na vida, eu ainda me vejo mais feliz sendo o que eu sou hoje, tendo o que tenho hoje, e, principalmente, tendo você ao meu lado. Isso faz toda a diferença.
♥x!

Dayse Sene disse...

Hoje não vim ler seu texto, pois já estou com sono...faculdade a noite, cansa um pouco. Mas ando preocupada que sumiu ...não a vi mais, nem você nem o Sandro. Tudo bem com vocês?
Espero que sim. pois gosto muito de vocês e desejo-lhes o melhor. Um grande abraço e uma bela noite ao casal.

Natália disse...

esse seu post veio a calhar como uma luva no momento em que eu me encontro.
Me senti amparada por ele. Obrigada! :)

Jana. disse...

Quem nasce para artista não foge aos seus.

Anล Kลtเล disse...

Pois é... Não adianta se lamentar pelo passado, já foi, já passou, não rolou e pronto! Se algo fui ruim, a gente faz de td para ñ passar por aquilo de novo, se algo foi bom, a gente faz de td parar q mais coisas boas aconteçam. Eu sou assim... Chega uma hora em que o "E se..." não existe mais no dicionário, não há tem para ele, só há tempo para seguir em frente, até mudar de caminho (pq não?) e correr atrás dos sonhos, das oportunidades, da felicidade... =)
Saudades daqui... Vamos ver se volto a conseguir ler com frequência, eu quero muito!!!
Bjocas...

Jão disse...

Realmente os medos e arrependimentos costumam tirar nosso sono.

Eu tenho comigo que devemos arriscar, ao menos não vamos ficar com a dúvida que poderia ter sido.

нєllєи Cαяoliиє disse...

Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe. Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja certo..
Fernando Pessoa

Muito interessante o texto,de fato os 'e se' e 'talvez' são fatais para nossas escolhas e decisões,devemos fazer valer o agora,pois é agora que estamos vivos e podemos fazer valer!
Obrigada por visitar meu cantinho Querida!
Lindo post esse.
Beijo e um ótimo fim de tarde!

Camila Monteiro disse...

Agora entendi porque vc quer ser RICA... kkkkkk
Ficamos o tempo todo no E SE... mesmo né? Eu vou colocar um post amanha e tem um pouco a ver com isso!!! Talvez vc goste, fala de MEDO.
Ahhhh nao adianta viver assim, temos que jogar com as cartas que temos!!!

Beijao! até mais!

Gisley Scott disse...

Parabéns Thaís :)!

Gente que vive de "e se" é gente que dirige o carro da vida se baseando no retrovisor(passado) ao invés do vidro do pára-brisa que é enorme(presente que vai se tornar um futuro)...

Bjos

Rê Lopes disse...

Pois não é irmã?!
O passado não se muda, o que se muda é o caminho que resolvemos percorrer AGORA! Engraçado como que na escola estou trabalhando com os meninos a questão justamente da memória, como ela é realmente seletiva, mas não guarda somente coisas boas. Ela guarda aquilo de, para o bem ou para o mal, fora marcante.

"E se" não traz nada de bom. Isso não existe. Apesar de às vezes ser inevitável pensar no tal " e se" . rs

beijos!!!

Por que você faz poema? disse...

Já não me amarguro arrependido a imaginar “e se eu tivesse feito isso” ou “e se eu tivesse feito aquilo”, meus excessos me permitem, no máximo, um “e se eu não tivesse feito isso” ou “e se eu não tivesse feito aquilo” (o que, ao final das contas, deve ser a mesma coisa).

A.S. disse...

Thaís,

É uma delicia te ler!... Belo texto partilhas com quem te visita!

Beijos,
AL

George Nunes Bueno disse...

A primeira frase dita pelo Sandro é bem verdadeira... Mesmo que as renúncias não sejam tão grandes assim às vezes!

Bom texto! Gosto do tom pessoal e da parte biográfica... nos aproxima!

Belo texto!

Bjs!

http://www.leiaatentamente.tk

Fernand's disse...

e se meu pai fosse mulher, eu teria duas mães e não um pai e uma mãe...


rsrs
não gosto de ficar pensando no "e se..." o que foi, foi.



bjs meus

Quel disse...

Muito lindo! Inspirador e encorajador também!

Beijos!