segunda-feira, 4 de julho de 2011

Na busca pela felicidade está a marcha contra a igualdade!

Em primeiro lugar, vamos deixar bem claros os termos: a marcha é contra a igualdade e não contra a igualitariedade. Porque tudo ótimo termos igualdade política + econômica + de justiça. Mas tudo errado sermos "produzidos" em série.

A lavagem cerebral está me matando. Cada dia que passa tenho mais preguiça das pessoas, algumas vezes me pego pensando: gente, será que estou de TPM? Aí percebo que não, que fulaninho é um chato mesmo. Já sei o que você está pensando: ai, será então que a chata não é você? Pode ser, mas como o ponto de vista em questão é o meu, vamos ignorar esta questão! hahahahahahaa

Agora é sério, por que estamos sendo pré-fabricados? Onde está acontecendo isso e como eu faço para me esconder? Por que será que as pessoas têm que gostar das mesmas músicas, dos mesmos assuntos? Por que está na moda ser politizado (leia-se: repetir como papagaio o que escutou na vendinha da esquina), ser emo, ser do contra? O que está acontecendo com o mundo, o que está acontecendo com as pessoas?

Será que não percebem que cada um de nós deveria ser uma obra-prima única e que jamais deveríamos permitir a Indústria Cultural? OMG!!! E não se limita apenas aos superficiais exemplos citados, mas à falta de respeito com a individualidade. Cada pessoa tem seu tempo, seu jeito, o que faz feliz em determinado momento. Mas aí ela recebe seu rótulo e cada vez que muda de jeito, de opinião, de momento, de felicidade... é um crime. Um crime praticado contra... contra... ahn... contra quem mesmo, hein? Porque eu duvido que alguém consiga justificar esta perseguição, este cuidado com a vida alheia.

Acho que está na hora de as pessoas desligarem suas antenas, fecharem suas janelas e abrirem as janelas da alma. Quando abrimos as janelas da alma percebemos o que realmente importa, aprendemos com cada fase, com cada experiência e com cada ser que passa em nossa vida. E a gente aprende que ser feliz, muito acima de ser diferente das outras pessoas, é ser diferente de si mesmo em cada etapa da vida.

Termino com um poema que fala sobre janelas como sendo as lacunas de tempo e espaço em que as fases acontecem na nossa vida, e como a gente vê tudo diferente dependendo da perspectiva, dependendo da época em que a gente está olhando por esta janela. Poema da brilhante Cecília Meirelles:


A ARTE DE SER FELIZ

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.


  HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.


  HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse,não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.


  HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.


  MAS, quando falo dessas pequenas felicidades, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.


É isso.

13 comentários:

Sandro Ataliba disse...

inteligente é ser diferente.
♥x!

нєllєи Cαяoliиє disse...

E poucos aprendem a ter esse olhar para essas tais né?
Que consigamos ter olhos sensíveis e enxergar o que está além de nossa janela!
Beijos

CARLA STOPA disse...

Muito bom...Gosto de estar aqui...Saudadesssssssssss...

Thay Negrão disse...

Ótimo post!! Ser diferente é ter opinião própria...e ser inteligente como você!!!

'Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais...'
Bob Marley

Beijoss....

Indy. disse...

É bem verdade... E essa sua indignação é a mesma que a minha. Sabe-se lá aonde o mundo vai parar...
hahaha..

beijos,
tanha uma boa semana!

Gisley Scott disse...

Dona Thaís, vc foi em cima da ferida, dear :)!

Eu acho que todo mundo virou produto de uma extensão de linha estúpida.Aqui mesmo nos EUA isso é muito forte.As meninas de um grupo vão ao shopping, elas estão todas vestidas do mesmo jeito.NÃO MINTO NÃO E NEM ESTOU EXAGERADA, É DO MESMO JEITO MESMO, como se fosse boy band, sabe? Triste Fim de Policarpo Quaresma!

Ano passado "todas" as mulheres evoluídas,chiques, independentes,americanas e feministas estavam comprando o carro azul anil, pq era a cor da moda!!!( independência do quê mesmo, hein?).

Foi-se o tempo que ser chamado de "repetido(a)" era coisa do tipo ter irmão gêmeo...E parece que se vc não entrar na onda, vc tá fora.

Uma coisa que fala muito bem do ser diferente, é o mais novo X-Men:The First Class.Tem uma crítica embutida muito boa nesse filme.

Bjus

Rê Lopes disse...

Olhar é bem diferente de ver. Acho que um dos grandes problemas está aí: olhamos para os outros, mas não vemos à nós mesmos.
Beijos!

Carla Fernanda disse...

Thaís querida "preguiça das pessoas" que coisa de se ler e de se sentir. REAL mesmo! Compreendo perfeitamente.
Penso que esta massificação, é um projeto maléfico de proporções assustadoramente terríveis contra a humanidade. Quando perdemos contato com o nosso EU, O Cristo em nós, vamos virando robôs, fáceis de manipular, mercadorias, números, gráficos de um capitalismo selvagem. ESTAMOS PERDIDOS! PERDENDO VALORES FUNDAMENTAIS DA ESPIRITUALIDADE HUMANA!!!
Aí querida, está a origem maior de tal propósito: Tomar o coração cristão de cada um....expulsar de nós Cristo, afastar-nos da Trindade Santa. E isso está cada vez mais evidente em tudo...filmes, TV, música, comportamento....é só olhar e ver.
Daí toda a angústia.....e vaoi muito longe.....
Beijos querida!!
Carla

Carla Fernanda disse...

Estamos em tempo que o mal se levanta para comfrontar o bem, como nunca antes e já li em algum lugar um conseito sobre a ascensão do baixo clero. É assustador.
Cada ser humano que conseguir estabelecer um centro no meio dessa desordem estará contribuindo muito com as hierarquias celestiais querida.
Percebo em vc um equilíbrio muuuito grande!!
Parabéns!!
Carla

Camila Monteiro disse...

Ahh a simplicidade das coisas. A muitoa perdemos e quando em um piscar de olhos a resgatamos nos vemos maravilhados não é mesmo?! Até pessoas produzidas em série conseguem ter esses momentos, é só querer!
Lindo teu post!
Beijos

Salsicha Mecanica disse...

Parabens pelo blog, acompanho ja faz algumas semanas.
Estou seguindo, se puder, entra no meu blog e siga eu tb. Grato

Fotos da mulherada de Rio Preto e regiao. Atualizadas constantemente. da uma olhada la no mu blog: http://salsichamecanica.blogspot.com

Maria Alice Cerqueira disse...

Boa tarde
Amei o texto e a poesia.
O mundo de hoje está de ponta a cabeça. Talvez seja por conta de cada viver mais em função do ter do que o ser. Pois se o outro é eu tambem quero ser, se o outro tem eu tambem quero ter. Mas aonde está o nosso verdadeiro eu? De onde vim, quem sou realmente e quem eu devo ser? Qual é a missa missao nesta sante terra de Deus? devo ser uma copia dos outros, ou fazer a diferença, ou ser o unico.
Pois é a ser diferente e unico que traz a sabedoria e o equilíbrio do universo.
Gostei muito deste seu cantinho, se voce permitir eu voltarei aqui mais vezes.
Tenha um Lindo dia.
Abraço fraterno
Maria Alice
Maria Alice

Flávia - Compartilhando Idéias... disse...

Engraçado que na hora até de deixar um comentário aqui todo mundo concorda com as mesmas coisas, mas posso apostar que a maioria (com todo respeito e até me incluindo) ainda se permite ser ou agir como você criticou agora.

É muito difícil ser original.
É muito difícil criar e não copiar.
É muito difícil arriscar.
É muito difícil correr riscos expondo-se contrariamente à maioria.

Por isso quem consegue esta proeza se destaca.
E, se destacando, merecerá grandes elogios.

Infelizmente o mundo é assim.
Sorte de quem enxerga isso e põe em prática.

Adorei a reflexão Tatá.