terça-feira, 26 de julho de 2011

Ainda sobre a humanidade!

Aproveitando este momento em que tenho pensado muito sobre a natureza humana, em que o egoísmo e o egocentrismo aparentemente têm vencido o bem (me senti a She-Ra agora...rs), em que tenho questionado a disposição humana para criar conflitos desnecessários, faço um repost de um artigo que escrevi alguns anos atrás.

P.S: Não vou mais me desculpar sempre pela ausência, vocês sabem que as férias acabaram...rs E estou tentando acabar de ler "Símbolo Perdido" do Dan Brown também, nos horários livres. Depois conto para vocês! :) Perdoem as visitas menos frequentes, mas prefiro que elas sejam de qualidade, com tempo e com bom humor, para que os textos sejam lidos com carinho, assim como são escritos com carinho para os leitores.

Ações e Contradições


Não se pode viver só, e esta é a única verdade, que eu, em minha vã filosofia, não me atrevo a questionar. Como argumentar contra a natureza humana? É como diz a música "Tem dó, quem viveu junto não pode nunca viver só". Pois é, e vivemos em sociedade, juntos, e mesmo aqueles que tentam se isolar têm o mínimo de contato humano. Você conhece algum ermitão? Conhece? Então é porque ele não é verdadeiramente um ermitão. Ser um ermitão é uma utopia daqueles que de alguma maneira fogem do comum, da normalidade padronizada pelos conceitos da sociedade, onde a maioria é quem dita as regras. E, afinal, as regras foram criadas porque antes delas houve o desvio, logo, as regras foram feitas para serem transgredidas, e cada um transgride somente aquelas as quais se dispõe a pagar o preço. 
Mas, voltando ao ponto, ninguém consegue verdadeiramente ser um ermitão, mas estar um ermitão. Qualquer pessoa que adota este tipo de comportamento está gritando em silêncio "Olhem pra mim","Eu preciso de atenção". Esta pessoa precisa mostrar o quanto ela é diferente, que transgrediu as regras, mas transparece totalmente a carência e necessidade demasiada de ser compreendida e acolhida com o seu diferencial.
É claro que este é um exemplo ilustrativo, mas esta contradição acontece a todo tempo nas situações cotidianas. O próprio individualismo que impera no modelo socioeconômico que vivemos hoje é fruto da contradição da natureza humana, já que foi esta mesma natureza, que criou um sistema econômico, político, social, ético e moral, onde as pessoas dependem umas das outras para não ficarem estagnadas. Por quê? Porque faz parte da natureza humana compartilhar. Mas também faz parte da natureza humana confrontar. Confrontar a si mesma, seu próprio sistema, seu próprio querer. É esta natureza que nos leva a dar voltas estupendas e até estúpidas para conseguir algo que talvez nascesse de um sorriso e vice-versa. 
As discrepâncias são criadas a todo momento, e sequer percebemos que estamos servindo de combustível para esta grande roda que anda sem sair do lugar. Isso me faz lembrar de outra música "Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais..." É mesmo por aí: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas não muda a encenação deste grande teatro que é a vida, onde quando reconhecemos nossas personagens, obedecemos fielmente suas falas, ou transgredimos inutilmente o seu romance, para estrelarmos um drama pessoal, individual. Mas o certo é que, ao contrário do que supomos no auge da nossa arrogância, não vivemos para nós mesmos, e sim para que nos encontremos na convivência com o outro.
É claro que não somos todos iguais, mas todos queremos ser diferentes, uns mais, outros menos. O ermitão grita tanto a solidão pela sua necessidade de que as pessoas venham até ele. O astro aparece tanto pela sua necessidade de ir até as pessoas, chamando os holofotes todos para ele. Cada um de nós, à sua maneira e à sua intensidade, precisa do outro. Por isso, devemos olhar para dentro em alguns momentos da correria da vida e nos perguntarmos até onde a contradição entre os nossos desejos e atos desperta a incompreensão daqueles que amamos. Quantas vezes magoamos para não permitirmos que o nosso egocentrismo atropele a nossa maior necessidade: conviver. 
Há aqueles que preferem conviver em paz, outros em guerra, mas, enfim, gostamos mesmo de conviver. Desde os mais reservados aos mais atirados queremos a mesma coisa. Somos parte integrante e ativa do processo e podemos escolher junto com o destino ou o sobrenatural. " Quem de nós é o referencial?"


Thaís de Almeida Alves

6 comentários:

Sandro Ataliba disse...

Deu nó na minha já cansada mente. rs
Eu só sei de uma coisa: quero conviver com você! Mais do que isso: quero viver você!
E deixa o ermitão em paz, ele só quer um pouco de silêncio. :p
Amo demais!

Flávia - Compartilhando Idéias... disse...

Confesso que eu tenho sim meus repentes de ermitão! rs
Tatá, as vezes me dá uma vontade de sumir e me esconder que você nem imagina (ou imagina).

Esses posts mais antigos devem ser repostados sim. Infelizmente, os leitores não têm o hábito de fuçar a fundo os nossos blogs e tudo de bom que tem lá no fundo do baú não é lido!


Um beijo!
(ps.: já estava com saudade!)

Thay Negrão disse...

Acho que estou nesse período de Ermitão... porém não é muito bom, pois quando a gente fica sozinha com a gente mesmo, acaba se perdendo um pouco...!!

Tenha um bom dia Tai...!! Beijãoo

Almir Ferreira disse...

Eu acho que todos nós temos uma necessidade mínima de convivência. Seja nas nossas atividades profissionais, seja nas relações comerciais, em algum nível precisamos viver em sociedade. Mas ninguém é obrigado a se sentir parte de um meio com o qual ele absolutamente não se identifica, e isso por vezes pode levar a fases "eremitas", vamos dizer assim. E essas pessoas vivem muito bem, obrigado. Schoppenhauer viveu mais de vinte anos na companhia apenas de seu pequeno cachorro de estimação, e não sentia falta nenhuma do contato humano mais íntimo, pessoal. Eu ainda prefiro alguém assim, do que aquela outra, vaidosa, egocêntrica, que necessita 24 horas por dia de atenção, paparico e elogios.

Só queria te pedir uma coisa: quando terminar "O Símbolo Perdido", não conte o final aqui por favor. Eu estou esperando minha irmã terminar o diabo desse livro algum dia, pra eu ler. rsrs

Beijo

Gisley Scott disse...

E por falar em ser ermitão, eu acho que eu vivi um pouco da celebridade e um pouco do "monge".

Quando eu vim morar aqui, deixei uma cidade grande, com mais de 2 bilhões de pessoas.Meu telefone tocava todo dia ou pelo menos recebia msg de texto.

Vim morar aqui.Telefone passa semanas sem tocar, e qdo toca é geralmente telemarketing 0.o!!!

Por muito tempo eu quis me entrosar mas as coisas não aconteciam...Daí passei um tempo a ter fobia social mesmo, acho que pq estava ferida.

Creio que essa síndrome de ermitão está inserido até nas mínimas coisas da nossa vida.Se andamos de ônibus, a pessoa não precisa mais se sentir encomodada ao sentar ao nosso lado e puxar conversa, basta simplesmente colocar o mp3 no ouvido.Esse é só um dos exemplos que eu me lembro.

Creio que ambas as classes[pop e not so pop) se frustram pq embora queiram conviver, querem mesmo é que as pessoas nutram suas necessidades relacionais e às vezes é difícil pq as pessoas estão tão carentes[e feridas] qto elas.

Gente carente querendo o que outro carente não tem pra dá... É, eu sei, complicado..rs!

Bjos!

ps:acho muito engraçado os comentários do seu esposo!parece que ele diz coisa "pra te irritar",mas logo logo ele adocica com declarações! Muito lindo o relacionamento de vcs!

Luiz Coelho disse...

Respondendo: Charlie Harper.